Um adolescente de 14 anos foi encontrado morto na manhã deste domingo (24), no Bairro Nova Lima, em Campo Grande. A suspeita inicial da Polícia Militar é de que ele tenha sofrido um infarto fulminante dentro de casa.
De acordo com a PM, o garoto estava gripado e havia tomado ibuprofeno na noite anterior. A família relatou aos policiais um histórico de problemas cardíacos do lado materno. A mãe do adolescente teria sofrido o primeiro infarto aos 22 anos e, aos 37, já havia passado por outros dois episódios.
A movimentação de equipes de socorro chamou a atenção dos moradores da região nas primeiras horas da manhã. Uma vizinha, que preferiu não se identificar, disse que o adolescente reclamava de dores antes de morrer. “Parece que ele estava com dores nas costas e no peito. Duas ambulâncias vieram, mas ele não resistiu”, afirmou.
A família, abalada, preferiu não dar entrevista. A irmã do menino informou apenas que ele havia completado 14 anos em março e foi encontrado sem reação dentro da residência. Moradores relataram que o adolescente estava há pouco tempo em Campo Grande. “O rapaz era novo, veio passar um tempo com a mãe. Pelo que falaram, ele não é daqui”, comentou outra vizinha.
Segundo a Polícia Militar, o caso será registrado como morte decorrente de fato atípico. A causa da morte ainda depende de confirmação oficial.
Dados sobre infarto em jovens
Embora o infarto seja mais comum entre idosos, dados do DATASUS (Departamento de Informática do SUS) mostram que o Brasil registrou 49 mortes por infarto agudo do miocárdio entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos entre 2019 e 2023. As informações foram compiladas em um estudo publicado em 2025 pela revista científica Research, Society and Development.
O levantamento, baseado no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), aponta que a maioria das mortes ocorreu entre pessoas com 80 anos ou mais, faixa etária que concentrou 128.644 registros no período analisado. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, foram contabilizados 467 óbitos.
Segundo os pesquisadores, fatores genéticos e histórico familiar de doenças cardiovasculares podem aumentar o risco de complicações cardíacas precoces, mesmo em pacientes jovens.
