Belém – O presidente Lula criticou os gastos de outros países com guerras e para o fortalecimento da defesa, enquanto o mundo enxerga um futuro cada vez mais nebuloso devido à mudança do clima. Ele discursou na abertura da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que iniciou nesta segunda-feira (10), em Belém (PA).
“Se os homens que fazem guerras estivessem aqui, nesta COP, iriam perceber que é muito mais barato colocar US$ 1,3 trilhão para acabar com o problema climático do que colocar US$ 2,7 trilhões para fazer guerras, como ocorreu no ano passado”, disse. A fala foi aplaudida por líderes de governos locais e internacionais.
Um relatório divulgado pela ONU em setembro aponta que os gastos militares chegaram a um recorde mundial em 2024: US$ 2,7 trilhões. Mais de 100 países aumentaram os orçamentos para defesa em níveis não vistos anteriormente. De acordo com o levantamento, somente 10% deste valor já seria suficiente para acabar com a pobreza extrema no mundo.
O valor de US$ 1,3 trilhão, citado por Lula, é o quanto os países em desenvolvimento pedem das nações mais ricas para conseguirem se adaptar à mudança do clima e realizar a transição para economias mais verdes.
Lula também criticou aqueles que não acreditam na ciência, recado que pode ser interpretado especialmente para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tirou os EUA do Acordo de Paris e da participação na COP 30. Para o governo norte-americano, que é o maior emissor de gases do efeito estufa, as discussões sobre clima só trariam mais gastos aos Estados Unidos.
“Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam não só as evidências da ciência, mas também os progressos do multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo. Atacam as instituições, a ciência e as universidades. É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas”, afirmou Lula.
Desafios
Em seu discurso, Lula destacou que foi um desafio realizar a COP em Belém, devido à questão logística, mas que o feito se mostrou um sucesso. Ele também lembrou que a COP 30 retorna para seu país natal. A Conferência nasceu na Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro (RJ), em 1992.
O presidente cobrou que os países-membros formulem e implementem ambiciosas Contribuições Nacionalmente Determinadas (metas climáticas); assegurem o financiamento, transferência de tecnologia e capacitação aos países em desenvolvimento; e deem a devida atenção para a adaptação aos efeitos da mudança do clima.
Ele também voltou a falar que o mundo precisa de um “caminho” para que, “de forma justa e planejada”, possa superar a dependência dos combustíveis fósseis e reverter o desmatamento. A produção de petróleo é um dos pontos mais delicados do evento, pois países como o Brasil ainda têm uma dependência econômica e energética importante para com os combustíveis fósseis.
O presidente Lula encerrou destacando que é fundamental reconhecer o papel dos territórios indígenas e de comunidades tradicionais nos esforços de mitigação da mudança do clima. Esse reconhecimento, já realizado pelo governo brasileiro, era uma das principais demandas do movimento indígena.
No domingo (9), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) ressaltou que a posição do governo reforça o compromisso da gestão com os territórios indígenas, mas lembrou que ainda faltam 36 pontos recomendados pelos povos indígenas que não foram absorvidos pelo governo brasileiro.
Algumas das “NDCs indígenas” são: o fim dos combustíveis fósseis e a exclusão da mineração e monoculturas em terras indígenas; a valorização do conhecimento tradicional e a formação climática culturalmente adaptada para os povos indígenas.















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