Mais uma parte da rua Tiuma, no bairro Cidade Nova, em Manaus, cedeu na manhã desta quinta-feira (13), agravando uma cratera que se formou há décadas e que já ameaça diversas residências. O novo desabamento resultou na interdição de cinco casas, cujos moradores viviam em alerta constante.
O aposentado Edson Brito Galvão, de 63 anos, relatou momentos de desespero ao ver a esposa e a neta, de apenas 5 anos, precisarem pular o muro para escapar. “O barulho foi horrível, é desesperador. Depois de tanto esforço para conquistar minha casa, sou obrigado a sair dela”, lamentou. Segundo ele, o problema começou há muitos anos, quando uma tubulação de concreto começou a desabar, sem que houvesse reparos efetivos por parte do Distrito de Obras.
Outro morador, Hernandes Veríssimo, de 67 anos, também aposentado, descreveu o impacto da forte chuva que antecedeu o desmoronamento.
“Entre 8h e 9h da manhã começou a cair aquela chuva forte. Quando olhamos, desabou de uma vez. Foi um desespero, mas graças a Deus estamos vivos para contar a história. É uma sensação muito difícil, sem palavras para descrever”, disse, ao lado da esposa.

(Foto: Nilton Ricardo/ A Crítica)
A Defesa Civil acompanha a ocorrência desde as primeiras horas do dia. O diretor de operações, José Mendes, informou que todas as cinco casas já tinham registros de risco e que os moradores vinham recebendo auxílio-aluguel de R$ 1.200 oferecido pela prefeitura e pelo governo estadual. “Estamos retirando as famílias e seus pertences para locais seguros. Algumas já têm destino provisório em escolas ou associações da comunidade. A Suhab também fará a indenização das casas atingidas”, explicou. Mendes lembrou ainda que, há cerca de seis meses, um deslizamento no bairro Fazendinha resultou em uma vítima fatal, reforçando a gravidade da situação.
Outro extremo – Comunidade Fazendinha
Na parte inferior da cratera, a comunidade conhecida como Fazendinha enfrenta ainda mais riscos. Dezenas de casas podem ser atingidas por novos deslizamentos, e os moradores relatam viver em alerta constante, lembrando que já ocorreram três deslizamentos de terra e duas mortes no local.
Uma das casas afetadas no deslizamento desta quinta-feira deixou uma família de sete pessoas, incluindo um bebê recém-nascido, sem nada.

(Foto: Nilton Ricardo/ A Crítica)
A dona de casa Carliane Silva, de 36 anos, descreveu o momento em que perdeu tudo.
“Quando vi, a água já estava entrando pela porta. Fui desligando os eletrodomésticos, peguei os documentos, mas, na hora de sair, tinha uma correnteza na frente. Não conseguimos sair. O vizinho precisou quebrar o muro para que a gente pudesse escapar. Perdemos tudo. É muito triste trabalhar para conquistar as coisas e, de repente, não ter mais nada. Aqui embaixo somos sempre os mais afetados e ninguém resolve. Toda vez que chove já é um desespero.”
Moradores da Fazendinha relatam ainda que sentiram um tremor no momento do deslizamento, aumentando o pânico. Eles denunciam que, até as 14h, nenhuma visita técnica da Defesa Civil havia sido realizada na parte inferior da cratera, apesar do risco iminente.

(Foto: Nilton Ricardo/ A Crítica)















Discussion about this post