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Doleiro da fronteira movimentou R$ 375 mi de contrabandistas

Doleiro da fronteira movimentou R$ 375 mi de contrabandistas

Um doleiro que atua na fronteira do Brasil com o Paraguai movimentou mais de R$ 375 milhões entre 2019 e 2024, segundo a Receita Federal. O operador financeiro é apontado como figura central no esquema de lavagem de dinheiro de uma organização criminosa investigada pelas operações Sicarius I e Sicarius II, deflagradas nesta terça-feira (9) pela Polícia Federal e pela Receita Federal.

O grupo criminoso atua no contrabando de cigarros, na importação ilegal de agrotóxicos, na falsificação de documentos e de placas veiculares e na lavagem de dinheiro. Para operar na região de fronteira entre Paraguai, Mato Grosso do Sul e Paraná, a quadrilha contava com o apoio de servidores públicos, principalmente policiais rodoviários federais. A Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanhou os mandados cumpridos contra integrantes da corporação.

De acordo com a Receita Federal no Paraná, o doleiro movimentou mais de R$ 375 milhões no período. Só em suas contas bancárias pessoais, circularam pelo menos R$ 114 milhões. Para dar respaldo às ações financeiras, ele controlava contas em nome de “laranjas” e empresas de fachada. O nome do doleiro e seu local de atuação não foram divulgados.

Na manhã de hoje, agentes federais cumpriram 44 mandados de prisão preventiva, 14 de prisão temporária, 62 de busca e apreensão, 45 de sequestro e bloqueio de contas bancárias, 5 ordens de cancelamento de CPFs, 7 de cancelamento de CNPJs e 67 ordens para instauração de procedimentos administrativos fiscais. As ações ocorreram em empresas de 12 estados: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Alagoas e Pernambuco. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Guaíra (PR).

Em Mato Grosso do Sul, os mandados foram cumpridos em Mundo Novo, Eldorado, Maracaju e Nova Andradina. Pessoas físicas e jurídicas foram alvos. Em Nova Andradina, agentes estiveram na sede de uma empresa de transporte. Um caminhão que pertenceu à empresa foi apreendido com carga de contrabando, mas o empresário apresentou documentos da venda do veículo, que não havia sido transferido pelo comprador.

A Superintendência da PRF em Mato Grosso do Sul informou que nenhum policial rodoviário federal do estado é alvo das operações. Porém, ao menos três agentes da PRF foram presos na região de Guaíra, no Paraná, epicentro das investigações. A Polícia Federal afirma que o grupo criminoso tinha estrutura com divisão de funções e atuação em vários estados, usando empresas de fachada, “laranjas” e mecanismos de ocultação patrimonial para esconder a origem ilícita do dinheiro.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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