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Herdeiro não quer o negócio? 3 caminhos para perpetuar

O maior risco de uma empresa pode não ser o concorrente, o banco ou o governo, mas sim o herdeiro que não se interessa por ela. Muitos fundadores que construíram negócios ao longo de décadas enfrentam a angústia de ver os filhos seguirem outras carreiras, como medicina ou morando no exterior, sem vontade de tocar o empreendimento.

Para o colunista Rodrigo Gonçalves Pimentel, o primeiro passo é tirar a culpa da mesa. Legado não significa obrigar os herdeiros a ocupar a cadeira do provedor, mas sim garantir que a empresa continue gerando riqueza, mesmo que os filhos sigam outros caminhos. O erro que quebra dinastias é achar que sucessão se resume a um testamento. Testamento divide bens, enquanto uma estrutura adequada divide poder, lucro e trabalho.

O perigo maior, segundo o texto, é o herdeiro que não tem vocação mas acha que tem. Por orgulho ou pressão familiar, ele pode assumir o comando e, em cinco anos, quebrar o que foi construído em 30. Quando a operação afunda, a recuperação judicial pode ser uma ferramenta, mas o problema é chegar lá sem blindagem e sem comando profissional.

O artigo apresenta três caminhos para perpetuar o negócio sem depender da vontade dos herdeiros. O primeiro é profissionalizar a gestão, com ou sem a família na operação, por meio de holding familiar, conselho e CEO com metas claras. Sucessão, nesse caso, não é questão de sobrenome, mas de competência. O provedor sempre será beneficiário, mas pode passar o bastão para um herdeiro preparado ou um executivo contratado.

O segundo caminho é transformar o ativo em renda. Uma indústria pode virar um galpão alugado, uma rede de lojas pode se tornar franquia, e uma fazenda pode ser arrendada. O patrimônio continua na família, mas o trabalho passa para outro. Os herdeiros recebem a renda sem a dor de cabeça da operação.

O terceiro caminho é o fundo familiar para o patrimônio líquido, inclusive fora do Brasil. Um fundo não opera o negócio, mas aloca capital. Ele compra participação e cobra resultado. Essa estrutura pode ser usada para blindar a parte líquida da família, garantindo que o patrimônio não fique refém de penhoras ou inventários longos.

O texto conclui que a decisão não é mais entre vender ou não vender, mas sim sobre quem vai tocar o negócio quando o provedor não estiver mais presente. A família, por meio de uma estrutura, ou a justiça, por meio de um inventário.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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