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Índia: Os Custos do Atraso e a Prevenção com Vacina HPV – Hindustan Times

Atualizado em: 26 de fevereiro de 2026, às 23h56 (horário de Brasília). Por Prapti Sharma

O orçamento da União de 2026-27 da Índia comprometeu-se com a implementação nacional da vacina contra o papilomavírus humano (HPV) para meninas adolescentes. Com isto, a Índia sinaliza que a prevenção do câncer do colo do útero não é mais um item periférico, mas uma prioridade política. A implementação vem após anos de ponderação, endosso técnico e programas piloto incrementais, mostrando que a prevenção passou de um consenso consultivo para uma intenção executiva. O governo da União deve lançar uma campanha especial de vacinação contra o HPV em todo o país, neste mês, para meninas de 14 anos, como esforço no combate ao câncer de colo de útero.

Por décadas, a Índia conviveu com uma contradição que não conseguia justificar: a ciência para prevenir o câncer de colo de útero existia, no entanto, as mortes continuavam, vitimando cerca de 80.000 mulheres por ano. Ironia do destino, a doença é de crescimento lento, detectável e majoritariamente prevenível. O problema não era a falta de conhecimento biomédico, mas a falha na execução em tempo hábil.

Em 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) fez um chamado para eliminação, não para controle incremental da doença, definindo o objetivo de reduzir a incidência do câncer de colo do útero para menos de quatro casos por 100.000 mulheres. A estratégia era precisa: vacinar 90% das meninas contra o HPV, fazer testes de alta performance em 70% das mulheres e tratar 90% daquelas identificadas com a doença. É considerado um raro momento na oncologia, um tipo de câncer com um caminho de saída bem definido.

A Índia endossou esta ambição. Mas o endosso, entretanto, não é sinônimo de institucionalização e o progresso continuou fragmentado. A vacinação, a intervenção mais poderosa, não se tornou uniformemente inclusa na rotina de imunização indiana. O acesso dependia da geografia, da vontade administrativa e de iniciativas faseadas. A prevenção permaneceu desigual. Contudo, o anúncio de 2026 altera essa trajetória.

A proposta é de utilizar a vacina quadrivalente contra o HPV, que protege contra os tipos 16 e 18 do HPV, responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo do útero no mundo, bem como os tipos 6 e 11, que causam verrugas genitais. Ao mirar em meninas adolescentes antes da exposição ao vírus, a intervenção interrompe a infecção em seu estágio mais inicial, prevenindo a transformação celular que antecede a mortalidade pelo câncer.

A vacinação em larga escala não apenas reduz a incidência, mas também supera o arco epidemiológico antes da doença se estabelecer. Interrompe a infecção antes dela se firmar como um mal. Prevenir é melhor do que o diagnóstico precoce e a primeira etapa do tratamento.

Contudo, é importante ressaltar que o otimismo deve ser controlado. A eliminação não está garantida pelo anúncio. Ele apenas cria manchetes. A estrutura é o que realmente cria a história.

Para a Índia, a abordagem cautelosa anterior era vista como prudência, restrições fiscais, prioridades de saúde competindo e sensibilidades sociais em torno da vacinação adolescente. Essas preocupações não são insignificantes. A produção da vacina contra o HPV é tecnologicamente complexa e depende de insumos biológicos especializados e cadeias de abastecimento globais. A expansão nacional exige sistemas confiáveis de cadeia de frio, pessoal treinado, estabilidade na aquisição e mecanismos de monitoramento capazes de funcionar além dos centros metropolitanos. A fabricação em larga escala não pode ser improvisada.

Porém, é preciso lembrar que essas restrições podem complicar a ação, mas não justificam a inércia. O atraso, na prevenção, não é neutro. Ele se acumula de forma negativa. Países como Ruanda e Austrália atingiram alta cobertura contra o HPV com recursos limitados através de estratégias de entrega coerentes e continuidade política e programática, respectivamente. A própria Índia demonstrou, durante a erradicação da pólio e as campanhas de vacinação contra a Covid-19, que, quando a liderança se alinha com a logística, a escala passa a ser operacional e não apenas aspiracional.

A verdadeira vulnerabilidade não tem sido a falta de conscientização, mas a fragmentação. A prevenção do câncer de colo do útero é um continuum que passa pela vacinação, triagem, diagnóstico e tratamento. Em partes do país, é comum mulheres que receberam resultado positivo após a triagem ainda enfrentarem encaminhamentos atrasados, capacidade patológica limitada e acompanhamento inconsistente. Um sistema que detecta a doença sem garantir tratamento oportuno corre o risco de corroer a confiança do público, especialmente entre as mulheres que já estão negociando restrições de mobilidade, responsabilidades de cuidados e autoridade de tomada de decisão desigual.

O câncer de colo do útero não é apenas um diagnóstico biológico. Ele é um veredicto social desproporcionalmente contra as mulheres. A prevenção requer o envolvimento em torno da sexualidade e da saúde reprodutiva, em contextos onde o silêncio ainda persiste. A escassez de tempo suprime a participação. O medo atrasa a triagem. As hierarquias sociais moldam o consentimento. Programas de eliminação bem-sucedidos integram plataformas escolares, extensões comunitárias, inovações em auto-coleta e trabalhadores de linha de frente confiáveis em um ecossistema unificado de entrega. A vacinação deve ser incorporada nessa arquitetura mais ampla, em vez de operar como uma campanha autônoma.

Este é o momento em que se torna decisivo. Se a vacinação contra o HPV for institucionalizada dentro do programa de imunização universal da Índia, com financiamento garantido, continuidade de fornecimento, monitoramento transparente e fortalecimento paralelo dos caminhos de triagem e tratamento, o país poderá reduzir décadas de mortalidade projetada em uma mudança geracional. No entanto, se a implementação permanecer episódica e a campanha operar sem continuidade, a curva epidemiológica se curvará lentamente, se é que irá.

Segundo a OMS, a eliminação é matematicamente possível. Vários países estão se aproximando do limite de eliminação definido. A Índia possui a capacidade científica, a base de produção interna e a experiência programática para se juntar a eles. Agora, o que o país precisa é de coerência e consistência. O preço do atraso já foi pago em funerais evitáveis, em famílias empurradas para o aperto financeiro, em crianças que crescem sem mães e em famílias navegando em um luto que não precisava existir. Todo ano sem cobertura não foi uma pausa. Foi um avanço.

A promessa da prevenção agora está ao nosso alcance. Esta vacina não é apenas uma adição a uma agenda. É uma declaração de que a prevenção vem antes da crise, de que a saúde das mulheres demanda um investimento antecipado e de que a eliminação não é uma aspiração distante, mas uma responsabilidade nacional mensurável. A ciência já se resolveu há muito tempo. A vontade política finalmente se moveu. A eliminação não é uma metáfora. É uma escolha, e a história registrará qual delas faremos.

Prapti Sharma é pesquisadora associada no Centro de Garantia Universal de Saúde (CUHA), da Indian School of Public Policy (ISPP).

Fonte: https://www.hindustantimes.com/opinion/the-price-of-delay-the-promise-of-prevention-india-s-hpv-vaccine-moment-101772107086131.html

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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