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Influencer apaga publis de “bomba” capilar, mas mantém “vitamina do cavalinho

Horas após ganhar a liberdade, a veterinária e influenciadora Raylane Diba Ferrari, de 30 anos, apagou as propagandas da “fórmula” de shampoo para cavalos usado como tônico capilar em seu perfil no Instagram. Ela havia sido presa em flagrante por indicar e vender o produto. Em outras plataformas, como Threads e anúncios na Shopee, as postagens ainda eram mantidas até o fechamento desta matéria.

Pôr fim ao comércio ilegal foi a primeira condição imposta pela Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo) nesta segunda-feira (4), após o flagrante. Raylane passou a noite na prisão e ganhou a liberdade no fim da manhã desta terça-feira (5), após o pagamento de R$ 4.863,00 de fiança. Ela está proibida de exercer a profissão de veterinária e deverá comparecer mensalmente em juízo no curso do processo criminal.

O crime

A influencer vai responder por vender produto impróprio para consumo e fazer adulteração para comercializá-lo. Raylane usava as redes sociais para fazer propaganda do “shampoo bomba”, um frasco contendo sabão para limpeza dos pelos e crinas de cavalos misturado à vitamina A injetável para animais de grande porte. Segundo a investigação, ela vendia o produto para uso humano em plataformas digitais e em pet shop no Bairro Universitário, em Campo Grande. O estabelecimento servia de “laboratório” para a produção da mistura vendida para todo o Brasil.

Na loja da Shopee, a mistura irregular ainda estava disponível para venda. O último acesso do vendedor ocorreu ao meio-dia desta segunda-feira (4), momento do flagrante no pet shop. A loja foi aberta há 6 anos e tem 5 mil seguidores.

Nas redes sociais, a influenciadora manteve propagandas de outro produto próprio para pessoas, mas que utiliza a imagem de um cavalo e tem nome parecido com o da vitamina animal usada na fórmula ilegal. “A famosa ‘vitamina do cavalinho’ que virou queridinha para fortalecer e estimular o crescimento!”, diz uma das postagens, referindo-se a um “blend de óleos poderosos com vitamina A para crescer cabelos”.

Flagrante e prisão

Na manhã de segunda-feira (4), uma força-tarefa formada por investigadores da Decon, fiscais do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) e do CRMV-MS (Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul) foi até o pet shop e constatou as irregularidades. De acordo com o delegado Wilton Vilas Boas, titular da especializada, a fiscalização apreendeu 65 frascos de produtos adulterados prontos para venda, após denúncia feita ao CRMV-MS. Também foi apreendida uma nota fiscal que apontava a compra de 2 mil frascos de shampoo para cavalos e 250 unidades de vitamina A de uso veterinário.

O pet shop não tem autorização sanitária ou controle técnico adequado para manipular substâncias. Quando a equipe chegou, um funcionário foi flagrado participando do processo de “fabricação” do tônico. Nesta terça-feira (5), a reportagem esteve duas vezes no local, que não abriu as portas.

A investigada foi levada para a delegacia, mas optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. Deve se manifestar apenas em juízo. A autuação foi baseada na Lei nº 8.078/90, que trata dos crimes contra as relações de consumo. A pena prevista varia de dois a cinco anos de detenção.

Outro lado

O advogado Ângelo Bezerra, que representa a veterinária, afirmou que a linha de defesa deve se concentrar na ausência de intenção e no papel de influenciadora. Segundo ele, a cliente atuava apenas na divulgação e revenda do produto. “A defesa sustenta que ela não tem esse nível de influência. Ela divulgava um produto e mostrava a fabricação, mas a produção não era dela. Ela não possui conhecimento técnico sobre manipulação de químicos ou agentes biológicos, nem sobre eventuais riscos do produto aos consumidores. Além disso, não houve intenção de prejudicar ninguém”, declarou.

A versão apresentada é de que a investigada apenas promovia uma “mistura” já conhecida e comercializada em outros locais. “Ela atua como influenciadora, apenas expondo um produto que já é conhecido nacionalmente e vendido em outros locais”. A reportagem também procurou Raylane em casa, mas ninguém atendeu.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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