Dados da PNAD Contínua Educação 2025, divulgados nesta sexta-feira (19) pelo IBGE, mostram que as mulheres ampliaram a vantagem na escolarização em Mato Grosso do Sul a partir dos 15 anos. Até os 14 anos, os meninos apresentam taxas ligeiramente maiores. Depois dessa idade, as mulheres passam a liderar todos os indicadores de permanência e progressão nos estudos.
A maior diferença foi registrada entre jovens de 18 a 24 anos. Nessa faixa, a taxa de escolarização masculina foi de 28,7%, enquanto a feminina chegou a 40,2%, uma vantagem de 11,5 pontos percentuais. O estudo também aponta queda na presença masculina nessa faixa etária na última década: era de 33,3% em 2016 e caiu para 28,7% em 2025.
No ensino médio, entre jovens de 15 a 17 anos, a taxa das mulheres foi de 79,1%, contra 65,3% dos homens. No ensino superior, entre 18 e 24 anos, as mulheres registraram 36,5%, ante 23,7% dos homens.
O levantamento também revela desafios. A taxa de escolarização de crianças de 0 a 5 anos caiu de 57,9% em 2024 para 57% em 2025. Com isso, o estado caiu da 12ª para a 18ª posição no ranking nacional. O melhor resultado foi em São Paulo (70,5%) e o pior no Amapá (30,7%).
Entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, a taxa de escolarização foi de 99,5%. Já entre pessoas com 25 anos ou mais, apenas 5,2% frequentavam alguma instituição de ensino.
As desigualdades raciais persistem. Na faixa de 18 a 24 anos, a taxa de escolarização de brancos foi de 42,4%, enquanto a de pretos ou pardos foi de 28,9%. Entre crianças de 0 a 5 anos, a situação se inverte: a escolarização foi maior entre pretos e pardos (60,5%) do que entre brancos (53,6%).
No ensino fundamental, a taxa ajustada de frequência líquida para crianças de 6 a 14 anos alcançou 96%, superando a meta de 95% do Plano Nacional de Educação (PNE). Apesar disso, o estado ficou na 18ª colocação nacional.
Nos demais níveis, houve queda. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, a taxa no ensino médio foi de 72,2%, recuo de 0,5 ponto percentual. Entre jovens de 18 a 24 anos, a taxa no ensino superior caiu de 31,1% para 30%. As diferenças raciais são grandes: 42% dos brancos frequentavam ou concluíram o ensino superior na idade adequada, contra 21,9% de pretos e pardos.
O ensino fundamental concentra o maior número de estudantes, com 385 mil matrículas (incluindo AJA e EJA). A rede pública predomina na educação básica, com 334 mil alunos. No ensino superior, a rede privada tem mais alunos: 92 mil, contra 48 mil na pública. A participação das universidades públicas cresceu, passando de 36 mil alunos em 2016 para 48 mil em 2025.
Entre os 1,86 milhão de moradores com 15 anos ou mais, 38,6% concluíram o ensino médio ou equivalente. As mulheres têm os maiores níveis de escolaridade: 20,5% frequentaram ou concluíram a graduação e 8,6% têm pós-graduação. Entre os homens, os percentuais são de 17,1% e 4,3%, respectivamente.
Na população branca com 15 anos ou mais, 24,4% frequentaram ou concluíram a graduação, ante 14,6% de pretos e pardos. Na pós-graduação, a diferença é de 8,8% para brancos contra 4,8% para pretos e pardos. Os maiores percentuais de pessoas com escolaridade limitada ao ensino fundamental continuam entre a população preta e parda.
