O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) pediu que a ampliação da dragagem na Hidrovia do Paraguai seja precedida por estudos técnicos mais aprofundados. A medida, segundo a entidade, é necessária para evitar impactos sobre o regime de inundações do Pantanal.
A declaração foi feita pelo presidente do IHP, Ângelo Rabelo, durante o seminário “Horizontes da Economia Azul”, promovido pelo Comando do 6º Distrito Naval da Marinha, em Campo Grande. Rabelo afirmou que a dragagem de manutenção é necessária para garantir a navegabilidade, mas que intervenções para aprofundar o canal exigem critérios mais rigorosos.
“A dragagem de manutenção é necessária. Já a dragagem de aprofundamento precisa ser analisada de maneira muito cuidadosa, porque pode haver uma relação de causa e efeito com o regime de inundações”, disse Rabelo. Ele lembrou que o Pantanal enfrenta uma das maiores crises hídricas de sua história.
Segundo o presidente do IHP, o processo não pode ser feito de forma abrupta. “Se isso acontecer, seremos contra”, afirmou. Rabelo ressaltou que é usuário da hidrovia e reconhece sua importância para a economia regional, mas defendeu que a navegabilidade precisa caminhar ao lado da conservação ambiental.
Rabelo também destacou que o rio Paraguai integra uma bacia internacional e que qualquer decisão sobre sua gestão precisa envolver os países vizinhos. “Não podemos tratar o rio apenas sob a perspectiva do Brasil”, afirmou. Ele ainda alertou para a redução do espelho d’água no Pantanal e para a perda de cobertura vegetal nas áreas de nascentes do rio.
O comandante do 6º Distrito Naval, contra-almirante Emerson Augusto Serafim, defendeu a construção conjunta de soluções para a hidrovia. Segundo ele, a discussão deve envolver setor público, iniciativa privada, academia, ambientalistas e profissionais da navegação. “O rio Paraguai-Paraná não pode ser discutido apenas por um ou dois atores”, afirmou.
Serafim lembrou que a Marinha completará 200 anos de presença no Centro-Oeste em fevereiro de 2027. “Discutir a hidrovia é discutir exatamente aquilo que a Marinha faz há mais de dois séculos: contribuir para o desenvolvimento da região de forma segura e sustentável”, disse o comandante.
