Aliados do senador Nelsinho Trad (PSD) avaliaram como difícil e pessoal a decisão dele de desistir da reeleição para ocupar a primeira suplência de Reinaldo Azambuja (PL). Para os políticos ouvidos durante a mega-convenção realizada na manhã deste sábado (1º), no Bairro Cidade Jardim, em Campo Grande, a escolha fortalece o grupo político, já que uma candidatura não se sustenta de forma individual.
O presidente da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), Gerson Claro (PP), afirmou que a trajetória política de Nelsinho e a impossibilidade de acomodar três candidaturas ao Senado dentro da mesma coligação pesaram na escolha. A chapa entra na disputa com Reinaldo Azambuja e Renan Contar, os dois pelo PL.
“Nós, quando temos um projeto e um propósito, temos que olhar para o coletivo. O coletivo é mais importante do que o individual. Não podemos fazer política olhando para o umbigo e achando que, sozinhos, construímos alguma coisa”, afirmou.
O deputado estadual Pedro Caravina (PSDB) também classificou a escolha como uma decisão pessoal com efeito direto sobre o conjunto de aliados. “Foi uma decisão difícil, ele mesmo falou isso, mas acho que foi uma decisão acertada. Campanha política você não consegue fazer individualmente, tem que fazer com o grupo”, declarou.
A deputada federal Rose Modesto (União Brasil) considerou que o recuo deve ser tratado como uma escolha pessoal do senador. “Ele continua contribuindo como primeiro suplente. Pelo que vi na nota, é uma decisão para manter a lealdade com o grupo que ele já vinha acompanhando”, disse.
O deputado federal Dagoberto Nogueira (PP) analisou a mudança pelo efeito eleitoral sobre a candidatura de Reinaldo. Para ele, a entrada de Nelsinho na suplência deixa a chapa mais competitiva. “Acho que foi uma jogada de mestre do Reinaldo”, afirmou. O deputado estadual Eduardo Rocha (PSDB) fez leitura semelhante. “Acho que o Reinaldo se fortalece mais ainda, com uma chapa muito forte”, resumiu.
O ex-deputado federal Carlos Marun (MDB) foi a única voz dissonante. Afirmou que não recebeu com satisfação a desistência, pois retira da disputa uma opção eleitoral de centro em Mato Grosso do Sul. “Ficamos com menos uma opção de voto”.
Nelsinho oficializou na noite de sexta-feira (31) a desistência da tentativa de renovar o mandato no Senado. Ele será o primeiro suplente de Reinaldo Azambuja, uma das duas candidaturas apresentadas pelo PL. A outra vaga será disputada por Capitão Contar. O acordo foi construído depois que ficou claro que não haveria espaço para três candidatos ao Senado dentro da mesma coligação.
O mandato atual de Nelsinho termina em fevereiro de 2027. Ele afirmou que continuará exercendo a função até o fim e apresentou o recuo como uma forma de preservar a unidade política construída em torno do atual governador. O ex-governador André Puccinelli (MDB) admitiu que ainda tentava assimilar a notícia. “A única coisa que posso dizer agora, é que fiquei muito surpreso. Ainda não caiu a minha ficha. Fiquei surpreso, fiquei estarrecido”, afirmou.
