A Prefeitura de Campo Grande confirmou que estudava a instalação de um serviço de acolhimento para pessoas em situação de rua na antiga incubadora municipal do bairro Mário Covas. Após protesto de moradores, a gestão informou que irá reavaliar a destinação do espaço. A decisão foi comunicada durante reunião realizada na quarta-feira (15), entre representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS), vereadores e uma comissão de moradores.
A vice-prefeita e secretária da SAS, Camilla Nascimento, afirmou em entrevista ao Campo Grande News que o acolhimento era uma das alternativas analisadas, mas que não havia decisão definitiva. “O que existia era um estudo e um levantamento sobre o que poderia ser feito ali. Ouvimos a população e agora vamos discutir internamente o que faremos com isso”, disse Camilla.
O vereador Wilson Lands (Avante), integrante da comissão, afirmou que os moradores foram unânimes em rejeitar a instalação de casa de recuperação, albergue ou casa de passagem no local. Entre as sugestões apresentadas pela comunidade estão a instalação do CRAS Canguru, a criação de um anexo de uma Emei para ampliar vagas e a unificação do Cadastro Único.
Segundo Wilson, nenhuma definição foi tomada durante a reunião. “Eles não deram uma resposta positiva, mas também não deram uma resposta negativa. Ficou em aberto e disseram que, em cerca de 15 dias, vão apresentar uma resposta”, relatou. A comissão é formada pelos vereadores Júnior Coringa (MDB) e Wilson Lands, pela presidente do bairro, integrantes do Clube de Mães e aproximadamente 15 moradores antigos da região.
Camilla Nascimento comentou que gostaria de ampliar a utilização das antigas incubadoras pela Assistência Social, mas reconheceu que isso depende da disponibilidade orçamentária. A reunião também esclareceu que os imóveis foram colocados à disposição das secretarias municipais. Caso nenhuma pasta manifeste interesse, os prédios permanecem vinculados à Semades.
A discussão ganhou força após reportagem do Campo Grande News mostrar que três das quatro incubadoras municipais estão desativadas e apresentam sinais de abandono. No caso da incubadora do Mário Covas, foram encontradas portas de vidro quebradas, danos na recepção e mato alto ao redor do imóvel, mesmo após reforma realizada em 2023. A prefeitura informou que o modelo de incubação física foi encerrado devido à migração dos empreendedores para o ambiente digital.
Os manifestantes afirmaram que não são contrários às políticas públicas de assistência social, mas defendem que o espaço tenha outra destinação, voltada à própria comunidade. Durante o protesto, cobraram transparência da prefeitura sobre o futuro do prédio e pediram que qualquer decisão fosse debatida previamente com os moradores.
