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Aeroporto só para voo visual: neblina vira foco em queda de avião

Aeroporto só para voo visual: neblina vira foco em queda de avião

O Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, onde um avião caiu na manhã desta sexta-feira (3) matando o piloto Henrique Martins e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, é classificado apenas para operações de voo visual. A informação consta no Rotaer, publicação oficial do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

Segundo o documento, o aeródromo (SSKG) opera sob regras VFR (Visual Flight Rules). Nesse tipo de voo, o piloto precisa manter referências visuais do terreno e do horizonte. Já os voos por instrumentos (IFR) permitem operar com visibilidade reduzida, usando equipamentos de navegação.

Pilotos ouvidos pela reportagem afirmam que, sem procedimentos IFR publicados para o Santa Maria, a decisão de voar em condições ruins depende da avaliação individual do comandante. “Cada piloto avalia as condições encontradas naquele momento”, disse um profissional que acompanha o caso e pediu anonimato.

A forte neblina registrada na capital sul-mato-grossense pela manhã é um dos pontos que devem ser analisados pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Campo Grande amanheceu com nevoeiro, garoa e sensação térmica de 7,6°C. O nevoeiro foi registrado na região das avenidas Três Barras e Ministro João Arinos, onde fica o aeroporto.

O voo que caiu estava previsto para as 5h, mas foi adiado por causa do tempo. A aeronave decolou por volta das 6h20 e caiu em uma área de mata perto do Condomínio Atlântico. Profissionais da aviação observam que outros aviões, como o do governador Eduardo Riedel (PSDB-MS), também decolaram do local, mas destacam que as operações têm características técnicas diferentes.

A aeronave acidentada tinha autorização para voos IFR, segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Especialistas explicam que a certificação do avião não muda a classificação operacional da pista. A administração do aeroporto afirmou que as informações sobre a pista estão nas publicações oficiais. O Cenipa vai investigar o acidente.

Reforma anunciada

A discussão sobre o aeroporto ocorre após o anúncio de um investimento de R$ 45,7 milhões para modernização. Em fevereiro, a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) homologou a licitação para obras de recuperação e ampliação. O projeto inclui reforma da pista, do pátio e das áreas de taxiamento, além de implantação de guarita e receptivo.

O governo estadual informou que a obra faz parte do plano aeroviário de Mato Grosso do Sul, com foco na ampliação da infraestrutura e logística regional. O pacote prevê investimentos em aeroportos e aeródromos em várias regiões do estado.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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