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Ex-colega revela: réu planejou matar esposa e filha de 10 meses

O ex-colega de trabalho de João Augusto Borges, de 22 anos, prestou depoimento nesta quarta-feira (27) no julgamento do réu, acusado de duplo feminicídio e ocultação de cadáver. Welison Matheus, que trabalhava como estoquista com João em uma distribuidora de bebidas, afirmou que o réu anunciava abertamente o plano de matar a esposa Vanessa Eugênia Medeiros e a filha Sophie, de 10 meses.

Segundo Welison, João repetia com frequência que queria “passar a mulher”. A testemunha contou que perguntava o que o rapaz faria com a bebê. “Vai junto”, respondia João. O depoimento foi prestado sem a presença do réu na sala, a pedido da testemunha.

Questionado pela promotora Luciana de Amaral Rabelo sobre quem havia contado os planos, Welison respondeu: “Foi ele mesmo, foi o João”. Ele relatou que a primeira abordagem ocorreu no ambiente de trabalho, quando João perguntou quem fazia o “corre”. “Corre de passar pessoa, matar pessoa”, explicou a testemunha.

Welison disse que não acreditou nas ameaças. “No dia seguinte, ele falou de novo que queria matar a esposa, que não deixava fazer nada. Eu não acreditei, mas ele continuou falando nessa história.”

No dia do crime, em 26 de maio de 2025, João retornou atrasado do horário de almoço e disse que o plano havia sido executado. “Passou o horário do almoço dele, ele chegou atrasado, aí a primeira coisa que ele falou pra mim: ‘tá feito’”, contou Welison. O réu voltou ao trabalho entre 17h e 18h, com sinais de lesões. “Chegou falando que tava feito, tava todo machucado, vermelho. O pescoço dele tava todo arranhado”, declarou.

João pediu para ir a um posto de saúde fazer curativo, mas não retornou ao trabalho. Depois, passou a ligar e mandar mensagens. “Na ligação eu não atendi, mas por mensagem ele falou que o corpo tava no carro, que já tava começando a feder, perguntando onde que eu tava.” Segundo a testemunha, João queria ajuda para ocultar os corpos. “Ele queria que eu ajudasse a queimar o corpo”, relatou.

Welison afirmou que João também falou sobre o plano com outros colegas. Ao todo, oito pessoas trabalhavam no local. Ninguém acionou a polícia porque os colegas não acreditaram que João realmente cometeria o crime. “Ninguém acreditou. Mas no outro dia eu mostrei as conversas pro gerente”, afirmou.

O motivo alegado por João, segundo a testemunha, era que Vanessa não o deixava fazer o que queria. “Ele falava que a mulher não deixava fazer nada, jogar videogame, jogar bola. Ele falava que pegou raiva.”

Welison disse que o colega chegou a oferecer o carro como pagamento pelo crime. “Nas mensagens, sim, disse que me dava o carro”, afirmou. Questionado se aceitou, respondeu: “Não”.

A testemunha disse ainda que chegou a se oferecer para ficar com a bebê, mas não levou a ameaça a sério. “Eu até me ofereci pra ficar com a criança, mas não acreditava.”

Segundo Welison, as falas sobre matar Vanessa eram antigas e recorrentes. “Essa conversa é antiga, ele falava isso sempre.” Ele contou que, no início, João era considerado bom funcionário. “No começo ele trabalhou bem, patrão até elogiou, ele trabalhava bem, chegava no horário.”

Ao assistente de acusação Lucas Brandolis, Welison declarou que João acreditava que sairia impune. “Ele falava pra mim que ia ser perfeito o plano, que ninguém ia saber, que ia dar certo.” A defesa não fez perguntas à testemunha.

Após o testemunho das duas testemunhas de acusação, a sessão foi interrompida.

O crime aconteceu em 26 de maio de 2025, em Campo Grande. Segundo a investigação, Vanessa Eugênia Medeiros e a filha Sophie foram mortas por João durante o horário de almoço dele. Depois, ele voltou ao trabalho e, mais tarde, levou os corpos no porta-malas do carro até uma área de mata no Indubrasil, onde as vítimas foram deixadas e incendiadas. Elas foram encontradas durante a madrugada por um vigilante, que acionou a Polícia Militar.

João foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul por duplo feminicídio qualificado e ocultação ou destruição de cadáveres.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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