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Falta de mão de obra atinge 80% das empresas

Oito em cada dez empresas no Brasil enfrentam dificuldades para preencher vagas de trabalho, um cenário que se repete há cinco anos, de acordo com uma pesquisa da consultoria ManpowerGroup realizada com 1.020 companhias. A taxa de desemprego no país está em mínimas históricas, o que aumenta a competição por talentos.

Na Solo Network, empresa paranaense de cibersegurança e inteligência artificial, há 21 vagas abertas para cargos como arquiteto de soluções, engenheiro de dados e gerente de contas, com salários entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. A empresa, que opera com 385 posições em modelo híbrido ou remoto, relata que as contratações na área comercial levam de dois a três meses, enquanto as de cibersegurança demoram 45 dias. Zenilda Zanardini, diretora administrativa da Solo, afirmou que a falta de profissionais qualificados afeta a operação e limita o crescimento, especialmente em vendas consultivas de produtos complexos.

O problema é mais acentuado entre profissionais de nível superior. A consultoria Robert Half calcula que a taxa de desocupação nesse grupo foi de 3,3% no primeiro trimestre do ano, quase metade da taxa geral de desemprego de 6,1%. Especialistas apontam que as vagas ociosas tendem a aumentar devido a fatores como demografia, baixos salários em vagas formais e novas aspirações dos trabalhadores, como a busca por jornada flexível.

O Brasil ocupa o quarto lugar entre 42 países com maior intenção de contratação para o período de julho a setembro, segundo outra pesquisa da ManpowerGroup. Dos 1.080 empregadores entrevistados, 52% pretendem ampliar suas equipes. A dificuldade é maior em setores como comércio, tecnologia, saúde e infraestrutura, especialmente nos grandes centros.

Vagas no varejo e na indústria

A rede mineira de supermercados Verdemar, com 17 lojas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tem 500 vagas abertas, o que representa quase 10% do seu quadro total de 5,5 mil funcionários. Faltam operadores de caixa, atendentes de padaria, estoquistas e repositors. O sócio e diretor comercial, Alexandre Poni, disse que a empresa enfrenta grande dificuldade para preencher essas posições, que exigem pouca experiência, mas o varejo não é mais atraente para muitos trabalhadores, mesmo com salários na média do mercado e benefícios como plano de saúde. Para melhorar a atração, a Verdemar implementou em oito lojas um acordo sindical que oferece mais descansos semanais, mas o esquema exige de 15% a 20% mais funcionários por loja e aumentou os custos.

A Livraria Leitura, com 136 lojas no país, também tem dificuldades para recrutar, principalmente para cargos de entrada como atendente e assistente de loja. O sócio André Teles relata que o número de candidatos por vaga caiu pela metade, e a empresa tem flexibilizado os perfis, contratando pessoas mais velhas. A empresa se preocupa com o agravamento do gargalo caso a PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas seja aprovada.

No setor de petróleo e gás, a escassez de mão de obra é grave. Segundo Telmo Ghiorzi, presidente executivo da Abespetro, um levantamento com 35 empresas em 2024 identificou 40 mil vagas abertas. Em toda a cadeia, a entidade estima 64 mil vagas. Faltam profissionais de nível técnico em soldagem, química e instrumentação, além de engenheiros e cientistas da computação. As empresas buscam parcerias com o Sistema S e universidades para capacitar trabalhadores. Karen Cubas, gerente da UNIBP, atribui o problema à demografia: profissionais mais velhos estão se aposentando em um momento de expansão acelerada de projetos offshore, acima da capacidade de reposição, e há forte concorrência pelos jovens.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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