A família e os advogados do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, acusaram o Estado de falhar na proteção à vida do político durante o período em que ele esteve preso. A acusação foi feita em nota pública divulgada na noite desta terça-feira (14).
O documento afirma que a defesa alertou a Justiça sobre a doença cardíaca de Bernal e apresentou seis pedidos para que ele deixasse o presídio antes da morte. “Sua morte não foi imprevisível. Foi anunciada. E foi anunciada por escrito, com base em ciência. A voz da ciência foi silenciada pelo receio da opinião pública”, diz um trecho da nota.
A nota tem as assinaturas da filha Sarah Bernal, da esposa Mirian Gonçalves e dos advogados Walquiria Moraes, Wilton Acosta, Ricardo Machado Filho e William Maksoud. Segundo eles, a defesa apresentou seis pedidos de liberdade ou prisão domiciliar entre abril e julho deste ano, todos acompanhados por documentos médicos. A Justiça rejeitou todas as solicitações. O último pedido foi protocolado em 8 de julho, após Bernal passar por procedimentos cardíacos.
A família também critica o retorno do ex-prefeito ao Presídio Militar Estadual após a alta hospitalar. De acordo com o texto, a escolta levou Bernal em um camburão, sem o suporte necessário para um paciente recém-operado do coração. A nota cita ainda um ofício da administração do presídio que informou a falta de UTI, unidade coronariana, cardiologista e equipe de enfermagem em regime de plantão.
“A defesa afirma, com todas as letras, que o Estado falhou no seu dever de proteção à vida de quem estava sob a sua custódia. Essa falha não pode ser normalizada nem esquecida”, diz o documento. Familiares e advogados afirmam que a busca por Justiça não pode retirar direitos fundamentais e criticam decisões motivadas pela pressão da opinião pública. “Alcides Bernal não chegou ao seu julgamento. Morreu presumido inocente”, afirma a nota.
O político completaria 61 anos nesta terça-feira. “Na data de hoje completaria 61 anos de idade, mas infelizmente deixa esposa viúva e filha que o amavam muito”, encerra a manifestação.
Bernal morreu aos 60 anos, na madrugada de segunda-feira (13), na Santa Casa de Campo Grande. Ele sofreu um novo infarto durante o terceiro cateterismo de urgência. Os médicos identificaram trombose nos stents implantados no coração e tentaram restabelecer o fluxo de sangue, mas não conseguiram. O ex-prefeito estava preso desde março pela morte do auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. Bernal admitiu os disparos, mas afirmou que agiu em legítima defesa.
