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YouTube: governo sobe classificação por rolagem infinita e desafios

O Ministério da Justiça elevou a classificação indicativa do YouTube de 14 para 16 anos nesta terça-feira. A decisão leva em conta a presença de rolagem infinita, referências sexuais, uso de drogas e as chamadas “novelas de frutas”, populares nos últimos meses. A medida faz parte do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que cria regras para proteger menores na internet e obriga plataformas a verificar a idade dos usuários.

A Secretaria Nacional de Direitos Digitais analisou quatro blocos de conteúdo: violência, sexo e nudez, drogas e interatividade. Na categoria violência, foram identificadas tendências como tortura, mutilação, estupro, suicídio e apologia à violência. A nota técnica destaca que, mesmo em situações fictícias, o grafismo e a verossimilhança das cenas podem causar forte impacto emocional e psicológico em crianças e adolescentes.

O documento cita as “novelas de frutas”, personagens antropomórficos com aparência atrativa para o público infantojuvenil, que imitam o estilo Pixar e Disney. As tramas, no entanto, abordam temas complexos como apelo sexual, violência doméstica e tráfico de drogas. Os avaliadores notaram que as drogas são representadas como temperos ou substâncias como orégano, mas com efeitos de dependência similares aos de entorpecentes. Alguns homicídios incluem lesões e sangramentos, aumentando o impacto visual.

No eixo sexo e nudez, a secretaria alertou para a linguagem chula em vídeos e a presença de cenas de sexo. Embora a nudez explícita ocorra mais em contas verificadas, é possível encontrá-la por palavras-chave. O relatório menciona apetrechos sexuais, como consolos e genitálias de silicone. Em obras audiovisuais integrais ou trechos, há retratação de situações como necrofilia, zoofilia e sexo grupal. Para burlar a moderação, usuários postam vídeos com imagem espelhada ou tarjas que não cobrem completamente o conteúdo explícito.

No eixo drogas, a secretaria afirma que canais exibem imagens reais de pessoas consumindo drogas lícitas e ilícitas, além de jogos de azar. Influenciadores digitais fazem parcerias com plataformas de apostas, estimulando a prática.

No eixo interatividade, foram identificados compartilhamento de dados e curadoria algorítmica com engajamento direcionado. A nota cita mecanismos de compra online e desafios arriscados. O YouTube usa informações pessoais e comportamentais para personalizar experiências e recomendar conteúdos. A plataforma incorpora reprodução automática, rolagem infinita e vídeos curtos altamente estimulantes, o que contribuiu para a elevação da classificação.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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