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Indústria tem deflação em maio puxada por queda nos alimentos

Indústria tem deflação em maio puxada por queda nos alimentos

A indústria brasileira registrou queda nos preços na saída das fábricas em maio, interrompendo a sequência de altas do mês anterior. O Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo IBGE, apontou recuo médio de 0,30% em relação a abril. O movimento foi puxado principalmente pela redução dos preços dos alimentos, em especial açúcar e café, com o avanço da safra.

Apesar da retração mensal, os preços industriais continuam pressionados em 2026. O IPP acumula alta de 4,80% nos cinco primeiros meses do ano, o quarto maior resultado para um mês de maio desde o início da série histórica, em 2014. Em 12 meses, a variação ficou em 1,99%.

O IPP acompanha os preços dos produtos “na porta de fábrica”, sem considerar impostos e fretes. O indicador serve como termômetro da inflação na cadeia produtiva antes de os custos chegarem ao consumidor.

O principal responsável pela deflação de maio foi o setor de alimentos, que responde pela maior parcela do índice. Os preços do setor caíram 2,05%, influenciados pela redução de 10,38% nos preços do açúcar, favorecida pelo avanço da colheita da cana-de-açúcar. O café também registrou queda, acompanhando o início da safra.

Segundo o gerente do IPP, Murilo Alvim, o comportamento desses produtos teve peso decisivo para o resultado da indústria. Sozinho, o segmento de alimentos retirou 0,48 ponto percentual da variação geral do índice.

Enquanto os alimentos aliviaram os preços industriais, outros setores continuaram registrando pressão. As maiores oscilações de maio ocorreram nas indústrias extrativas (-5,90%), borracha e plástico (4,80%), madeira (3,08%) e outros produtos químicos (2,14%).

O segmento de borracha e plástico chamou atenção pelo ritmo de alta. Apenas nos últimos três meses, os preços dos produtos de material plástico avançaram 21,83%. O movimento reflete o repasse dos aumentos registrados anteriormente nos derivados de petróleo ao longo da cadeia produtiva.

No acumulado de 2026, os maiores aumentos permanecem concentrados em outros produtos químicos (20,28%), indústrias extrativas (15,78%), borracha e plástico (14,78%) e refino de petróleo e biocombustíveis (8,27%). Isso indica que parte da indústria ainda convive com custos elevados de produção.

Entre as grandes categorias econômicas, todas registraram queda em maio. Os bens de capital recuaram 0,21%, os bens intermediários caíram 0,29% e os bens de consumo tiveram redução de 0,34%. Dentro desse grupo, os bens duráveis ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,09%, enquanto os bens semiduráveis e não duráveis recuaram 0,42%.

Os bens intermediários, utilizados como insumos por outros setores da economia, exerceram a maior influência sobre o resultado geral. Isso se deve ao peso superior a 55% na composição do índice.

Embora o recuo de maio sinalize um alívio momentâneo nos preços industriais, o acumulado de 2026 mostra que a pressão sobre os custos de produção ainda permanece elevada em diversos segmentos. Isso ocorre especialmente naqueles ligados aos insumos químicos, petróleo e materiais plásticos. A evolução desses preços tende a continuar influenciando o comportamento da inflação ao consumidor nos próximos meses.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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