Os produtores de soja de Mato Grosso do Sul poderão antecipar em uma semana o início do plantio da safra 2026/2027. A mudança foi anunciada nesta terça-feira (30) pelo secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Falcette.
A alteração muda o critério usado pelo Estado para o cumprimento do vazio sanitário. Deixa de valer a data do plantio e passa a ser considerada a data de germinação da lavoura. Na prática, a semeadura poderá começar a partir de 7 de setembro, desde que a germinação ocorra somente após 15 de setembro, quando termina o vazio sanitário atual.
Segundo o governo, a medida atende a uma demanda do setor produtivo. “Estamos alterando a referência da data de plantio para a data de germinação. Isso permite que o produtor inicie a operação antes”, afirmou Falcette. Ele citou o avanço dos pacotes tecnológicos, a expansão da irrigação no Estado e as mudanças climáticas como fatores que motivaram a decisão.
A alteração favorece especialmente os produtores que usam irrigação. “Quem irriga tem água disponível o tempo todo. Não faz sentido esperar até 15 de setembro para plantar se ele pode antecipar essa operação”, explicou o secretário. Segundo ele, a medida aumenta a produtividade e libera a área mais cedo para o plantio da segunda safra.
Outro fator foi a evolução tecnológica da sojicultura. Sementes mais modernas, avanços em biotecnologia e novas práticas de manejo ampliaram a capacidade de antecipar o plantio sem comprometer o desenvolvimento das lavouras. “Hoje o que limita o produtor não é mais a tecnologia disponível, mas a janela estabelecida pelo vazio sanitário”, disse Falcette.
Pedido de alteração do vazio sanitário
Paralelamente, o Governo de Mato Grosso do Sul encaminhou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) um pedido para alterar oficialmente o período do vazio sanitário da soja. A proposta prevê antecipar em 15 dias todo o calendário.
Em vez de vigorar de 15 de junho a 15 de setembro, o vazio sanitário passaria a ocorrer entre 1º de junho e 1º de setembro. Isso permitiria que o plantio começasse mais cedo em todo o Estado.
Falcette afirmou que o vazio sanitário continua sendo importante para controlar a ferrugem asiática da soja. “Mas a posição dessa janela foi definida há muitos anos e, ao longo do tempo, tanto o clima quanto os sistemas de produção mudaram.”
O secretário reforçou que o objetivo não é reduzir o controle fitossanitário, mas adequar a norma às condições atuais. A expectativa é que, se aprovado pelo Mapa, o novo calendário passe a valer a partir da safra 2027/2028.
